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ASDELA ENTREVISTA – LUIZ HENRIQUE MACIEL

Luiz Henrique Maciel, o coordenador do projeto de Ginástica Aeróbica da UFLA fala sobre a modalidade, seus resultados e desempenho em competições nacionais e internacionais. Confira a entrevista que ele concedeu para a AsdelaNews:

12647968_964239073650969_681683832_nASDELA: Luiz Henrique, gostaríamos que você se apresentasse para os nossos leitores.

Luiz Henrique: Meu nome é Luiz Henrique Maciel, eu sou professor da Universidade Federal de Lavras (Departamento de Educação Física), a minha formação no esporte foi como atleta de ginástica acrobática e ginástica aeróbica, isso quando era jovem. Logo em seguida eu me tornei técnico de Ginástica Aeróbica que foi a modalidade que eu competi por mais tempo e que eu desenvolvo até hoje. Comecei como técnico na Aeróbica em 1999 na iniciação, e em 2003 eu me tornei técnico da Seleção Brasileira e desde de 2003 até agora eu atuo como técnico da Seleção, e atualmente também técnico da UFLA (que tem atletas da Seleção Brasileira), além de ser uma das equipes com os melhores resultados atualmente no país.

ASDELA: Como começou a sua história com o esporte?

Luiz Henrique: Desde criança eu gostei de ginástica, sempre quis fazer, mas minha mãe tinha medo que eu me machucasse, porque o povo tem um pouco de medo de ginástica. Comecei fazendo iniciação quando pequeno e fiz natação também (os dois únicos esportes que fiz). Especializei-me bem cedo, que é uma característica marcante da ginástica. Como atleta até aproximadamente meus 21 anos e depois fiz a transição, com 19 já havia começado como técnico, mas ainda era técnico e atleta, então fiz esta transição para continuar apenas como técnico.

12605321_1198026366894777_5165118861102550442_oASDELA: Como já é conhecido, a equipe de Ginástica da UFLA possui integrantes da Seleção Brasileira (treinando aqui todos os dias). Como chegou ao ponto da Seleção Brasileira treinar em Lavras?

Luiz Henrique: Na verdade, nenhuma das modalidades de ginástica tem seleção permanente. Na verdade não é a Seleção Brasileira que vem treinar aqui, eu sou um dos técnicos da Seleção, Chefe de Delegação na maioria das competições internacionais, além de ter os atletas com os melhores índices e que estão sendo da Seleção Brasileira desde 2008 e 2009. O que acontece hoje é assim, Lavras e a UFLA nos proporciona uma oportunidade muito boa para que possamos desenvolver o trabalho, a gente sabe que temos um acesso a recurso público, a material que é voltado ao interesse público e a nossa equipe vêm de um Projeto de Iniciação que atende pessoas da comunidade e de outras cidades gratuitamente, isso já ajuda bastante. Além disso a gente possui uma matriz para poder trabalhar no Alto Rendimento, temos apoios de algumas empresas  e parceiros, e isso acaba chamando as pessoas pra cá, o que acontece é que todos os atletas do Projeto, obrigatoriamente tem o compromisso de conseguir entrar na Universidade como estudantes, mas eles já vem da base desde antes. Mas o que vem acontecendo de uns tempos pra cá é que eu tenho atletas de outros lugares, que tem interesse de vir para UFLA diante os nosso resultados e pelo o que a gente pode oferecer em relação a estrutura, trabalho e resultado, por isso pessoas de outras cidades e estados vem para a UFLA estudar e treinar. Nós temos um projeto neste ano para Campeonatos Internacionais, nós fizemos um convite para duas atletas campeãs mundiais que são de São Paulo e que não estavam competindo, para voltarem e compor uma prova com a gente. Elas vieram e está dando muito certo, iremos competir uma prova nova na qual o Brasil nunca competiu, o “Aerodance” que é uma prova composta por 8 ginastas, então são 6 aqui da UFLA e as duas de São Paulo. Então atletas com uma bagagem muito grande, que chegaram ao topo da carreira conquistando tudo o que podiam, e agora elas estão dividindo conhecimento e experiências com a gente. Além disso, o nosso novo ginásio vai começar a ser construído em março e o objetivo é fazer um centro de treinamento Sul-americano e Pan-americano, com parceria com a Confederação Brasileira de Ginástica.

12391925_942142775876796_8306602877402257757_nASDELA: Qual a vantagem e desvantagem de treinar em “Alto Nível” em uma cidade como a de Lavras?

Luiz Henrique: Por mim, possuem mais vantagens. Além do que já havia dito sobre o apoio da Universidade, da facilidade de contatos que nós temos, já que estamos nisso a tempo e o pessoal já conhece muito bem o trabalho, e em uma cidade do interior é mais fácil de ser reconhecido, as pessoas de conhecem mais, enxergam tudo acontecendo, a gente vê os meninos e meninas da equipe são famosos aqui na cidade, onde eles vão o pessoal conhece e sabem quem eles são, mesmo eu quando vou em algum lugar aqui na cidade e alguém diz “Te vi na TV” “Te vi no jornal”, então este lado é legal. Além disso, cidade do interior é tudo mais barato (alimentação, moradia, transporte), por exemplo as meninas que estão vindo de São Paulo pra cá, o gasto que elas possuem é com o transporte, pois quando chega aqui elas não gastam com quase mais nada. Já a única desvantagem do projeto estar no interior, é a hora de fazer viagem internacional, quando temos que ir para o aeroporto de Belo Horizonte ou São Paulo ou Rio de Janeiro, fora isso nenhuma desvantagem, não sairia daqui por motivo nenhum, pelo apoio que eu tenho, pelo reconhecimento e por toda facilidade.

ASDELA: Nós estamos acompanhando os ótimos resultados internacionais da Ginástica Aeróbica. Como você justifica estes resultados?

Luiz Henrique: Na verdade o Brasil é um país que possui tradição na Ginástica Aeróbica desde que ela surgiu, sendo um dos países com mais títulos mundiais. A Ginástica Aeróbica não é uma modalidade olímpica, mas com vias de ingresso, se tudo ocorrer bem, estará nos Jogos em 2020, se isso acontecer a modalidade vai explodir muito mais, hoje temos menos equipe e na hora que isso acontecer vai surgir inúmeras por aí. Mas voltando, o que diferencia muito o Brasil dos outros países em competições internacionais, e o que chama a atenção é a criatividade. Em cursos de técnicos da Federação Internacional de Ginástica, as rotinas brasileiras são sempre colocadas como exemplo de criatividade, então a elaboração das rotinas, a seleção das músicas e coreografias inovadoras com movimentos criativos que possuem apelo de público, são fatores determinantes. Quando a gente chega em alguma competição internacional, todo mundo vem perto para ver o que a gente está fazendo. Dias atrás estava conversando com um atleta meu e ele estava conversando com uma atleta da Espanha (Campeã Mundial em outros anos), ela estava perguntando se nós vamos para as próximas etapas de Copa do Mundo, pois está todo mundo curioso para saber o que a gente está fazendo. Além disso, eu acho que o que diferencia a gente dos demais é porque a gente faz isso por amor, se fosse por dinheiro ninguém estaria aqui.

12626093_964239083650968_1015837860_nASDELA: Qual é o legado “Não Esportivo” dos atletas do projeto?

Luiz Henrique: O atleta ser estudante da Universidade é uma preocupação minha. Penso assim porque o esporte fez diferença na minha vida, digo para todo mundo que se não tivesse envolvido com a Ginástica Aeróbica eu não estaria onde estou hoje, talvez eu não fosse professor da universidade, talvez eu não seria técnico da seleção, entre outras coisas. Então eu acho importante essa questão da formação deles, que tenham uma continuidade, todos que estão aqui tem apoio para desenvolverem na área que escolhem, sendo dentro da Educação Física como fora dela. Agora, se não formos pensar em alto rendimento (tendo em vista que a minoria de participantes do projeto treina para as competições), hoje no projeto a gente atende cerca de 200 pessoas e temos pouco mais de 20 atletas voltados para competições, portanto quem não chega aos treinos focados ao rendimento adquirem todos os benefícios da prática esportiva, tendo a oportunidade de se envolver com o esporte, de ter tido a orientação, desenvolvimento de capacidades psicológicas que acho fundamental, conhecimento e respeito dos seus limites e do limite do próximo.

ASDELA: Como você já começou a mencionar, fale mais sobre o projeto, destacando a iniciação e participação.

Luiz Henrique: Todos que se interessem podem entrar. Começamos os trabalhos a partir dos 5 anos de idade, as crianças vem e quando elas fazem 9 anos nós fazemos as seleções para as equipes de competição, por isso nós temos que ter uma massa na base, isso é normal em todas as modalidades esportivas, pois quanto mais crianças nós temos na base mais chances teremos de encontrar as pessoas certas. No alto rendimento a pessoa não escolhe o esporte, o esporte escolhe ela, não é qualquer um que queira ser atleta de alto rendimento que conseguirá, ainda mais se não se envolver da forma correta, precisa se dedicar aos treinos. Portanto todos ingressam na iniciação sem a obrigação de fazer parte da equipe de competição, pois o objetivo do projeto é fazer ginástica na UFLA e o Alto Rendimento é um braço deste projeto. O projeto tem o objetivo de popularizar a ginástica, oferecer a modalidade para as pessoas, e quanto mais pessoas forem atingidas será melhor!

12039295_918803618157169_1143509981751560741_nASDELA: Lavras é um polo universitário e possui duas universidades de Educação Física, formando vários alunos todos os anos. Qual é a importância desta característica para o esporte de Lavras?

Luiz Henrique: Eu sempre digo que o esporte pra mim é o campo de atuação que mais caraterística a Educação Física, pois para atuar como técnico você precisa ser formado em Educação Física. Como uma vertente de atuação, acho muito importante nós termos duas faculdades trabalhando com a Educação Física aqui, mas que tenhamos outras possibilidades da Educação Física também, das outras áreas de atuação que irão complementar o esporte, a questão de conscientização da importância da prática de atividade física e que isso venha dos pais para os filhos e dos filhos para os pais, é um campo de atuação regional muito importante. Na verdade  o que eu acho é que as universidades tem uma responsabilidade muito grande em formar bons profissionais para o mercado de trabalho, não é nem ao contrário (o que estes profissionais vão trazer para a cidade), pois acho que quem é daqui e quer ficar, vai ficar e tem campo pra todo mundo que trabalha bem, mas a responsabilidade das faculdades é muito grande, pois Lavras tem uma tradição muito forte no esporte, o que aumenta a responsabilidade.

ASDELA: Relate um momento esportivo mais marcante na sua história com o esporte em Lavras?

Luiz Henrique: Foi o primeiro Campeonato Brasileiro que eu organizei aqui. Foi em 2006, na época eu trabalhava no Gammon e trouxemos um campeonato pra cá, e foi uma competição muito bonita, muito grande e veio muita gente. Todo mundo adorou! Além disso, nesse campeonato foi a primeira vez que a minha equipe ganhou o título geral (categoria infantil).